Texto elaborado por Carlos Roberto Serrão Haddad
haddad.ibted@gmail.com

Regularmente comento que a acidose está na essência da maioria dos males.

O pH do sangue é ligeiramente alcalino. No sangue arterial fica entre 7,45 e 7,4 enquanto que, no venoso, entre 7,4 e 7,35. Índice de pH abaixo de 7,35 caracteriza acidose enquanto que acima de 7,45, alcalose. Um pH próximo de 6,95 pode provocar estado de coma enquanto que o pH acima de 7,7 pode desencadear espasmos, hipersensibilidade, irritação e convulsões. O organismo humano não sobrevive com o pH do sangue abaixo de 6,86 ou acima de 7,94.

Todas as inflamações correspondem à acidez. Artrites, tendinites, metrite, espondilites, rinite, sinusite, bursites, tendosinovites e todas as patologias terminadas em ite correspondem a processos inflamatórios. Exceto a popular celulite, que não é essencialmente uma inflamação. Não que sejam processos inflamatórios no sangue, mas certamente os resíduos ácidos que promovem a sensação de queimação passarão por ele.

Quanto maior da acidez

A sensação dolorosa aumenta. Os nociceptores (neurônios que sentem dor) são estimuláveis por ácidos. A sensação de dor aumenta a medida que a acidez do sangue aumenta mesmo sem aumentarmos outros estímulos nesses terminais nervosos.

Redução das outras respostas neurológicas, inclusive as cerebrais. Porque a acidez dificulta o transporte de oxigênio pelas hemácias e o organismo necessita dele para funcionar.

Maior índice de doenças. A má resposta neurológica com a falta de oxigênio facilita disfunções hormonais e viscerais de todos os tipos. Sejam nos batimentos cardíacos, nos pulsos que regem os músculos, nos mensageiros, no peristaltismo, na produção dos hormônios, nas respostas imunológicas e de defesa e em praticamente todos os sistemas orgânicos.

Maior índice de contaminação. A grande maioria dos vírus, fungos e bactérias prolifera melhor em meios ácidos.

Edemas e má absorção de nutrientes. A circulação linfática é muito sensível ao pH. A acidez dificulta ao organismo absorver os nutrientes do sistema digestório, uma das funções da circulação linfática, e facilita os edemas (inchaços), o que dificulta a retirada dos resíduos metabólicos dos espaços intertisciais (entre as células), outra das funções do sistema linfático.

Maior índice de osteoporose. O organismo utiliza, entre outros mecanismos, o cálcio e o magnésio para regular a acidez do sangue (tamponagem). Normalmente estes minerais estão no colágeno, em outras proteínas ou armazenados nos ossos, donde podem ser retirados para que a tamponagem ocorra.

Problemas musculares. O pH afeta diretamente as sinapses musculares, a irrigação e a oxigenação muscular.

Aumento da taxa de radicais livres. Os radicais livres são moléculas de oxigênio que perderam um elétron nas interações com outras moléculas e tentam se equilibrar roubando elétrons de outras moléculas. Reagem com oxigênio ou outro componente como silício em busca de seu equilíbrio elétrico. Em falta destes, destroem moléculas de colágenos, fator de reconstrução e manutenção do tecido humano. O sangue ácido, como já vimos, diminui tanto o oxigênio bom do sangue quanto os nutrientes, aumentando o ataque dos radicais livres ao colágeno.

Conclusão. Enfim, adoecimento e envelhecimento precoce do organismo.

Controle orgânico da acidez

Possuímos alguns mecanismos internos para controle do pH: o sistema renal, os centros de controle da respiração e a tamponagem.

O sistema renal é o principal mecanismo de eliminação dos ácidos, geralmente em forma de amoníaco. Mas não o mais rápido.

O metabolismo celular resulta, além de outros produtos como alguns ácidos graxos, na produção de bicarbonato de sódio e o anidrido carbônico (que se transforma em gás carbônico e água). Estes dois produtos são os principais reguladores do pH do sangue.

Os centros de controle da respiração (no cérebro) fazem papel fundamental no equilíbrio entre o bicarbonato e o anidrido carbônico. A respiração mais profunda e mais rápida faz o corpo eliminar mais gás carbônico, diminuindo o volume do anidrido carbônico (a água sairá pela urina). Uma respiração menos profunda e mais lenta elimina menos gás carbônico. Assim estes centros controlam o pH do sangue. E reagem em poucos segundos ao aumento ou diminuição do pH. Basta um esforço maior ou uma situação de ameaça.

Tamponagem. Outros mecanismos de controle do pH podem ser utilizados, como o uso de componentes alcalinos (cálcio e magnésio) na redução dos ácidos. Em estética, por exemplo, utiliza-se o silício para a captura dos radicais livres. Normalmente no nosso organismo os ácidos que não são eliminados pela urina reagem com moléculas de cálcio quelado (muitas vezes cedido pelos ossos) ou com proteínas como o colágeno (que possuem cálcio e magnésio).

Outros fatores acidificantes

Além dos ácidos próprios do metabolismo celular, outros ácidos podem ser produzidos pelo organismo ou serem a ele incorporados.

O ácido úrico é resultante do metabolismo de gorduras.

O ácido lático pode ser produzido pelas hemácias, pelo cérebro e pela contração dos músculos estriados.

A substância P, um neurotransmissor produzido pelos neurônios, é um ácido.

Resíduos metabólicos da decomposição de proteínas, por exemplo, também deixam resíduos ácidos. Como no caso dos diabéticos que, por não utilizarem a glicose mas proteínas na nutrição celular, possuem alto índice de ceto-ácidos.

Os glóbulos brancos, centro importante do mecanismo de defesa, são altamente ácidos (pos isto o catarro irrita tanto as mucosas). Para compreender como o consumo de carnes, leite e derivados aumenta o pH do sangue, veja o texto riniteeoutras.

Muitos alimentos ácidos ou com resíduos ácidos. Como produtos com ácido acético (vinagres e seus derivados), muitos dos conservantes alimentares (veja a listagem nos produtos que você consome), açúcar e seus derivados e alimentos que, quando cozidos, produzem algum ácido. Como o tomate e o repolho que, ao natural, tem pH alcalino e são ótimos para a saúde.

Nosso controle sobre a acidez

Atuamos de diversas formas sobre a acidez do nosso sangue.

Nutrição. Não é necessário ser da Saúde para reconhecer que principalmente a nossa alimentação pode aumentar ou regular o pH.

Atividades físicas. Os exercícios e o batimento cardíaco são os principais responsáveis pela circulação de linfa, sistema importante na retirada dos resíduos metabólicos do meio intertiscial (entre as células), que passará ao sistema venoso/arterial e circulará pelos rins.

Respiração. Até mesmo o nosso controle sobre a nossa respiração afeta o pH do sangue. Onde também entra os males que afetam nosso pulmão, como as fumaças tóxicas e problemas do sistema.

Você viu estas pesquisas?

Como a tamponagem pode ser facilitada pela alimentação?

Como a tamponagem pode ser facilitada pela respiração?

Como a alimentação afeta nossas patologias? A alimentação é um dos principais fatores de acidificação do organismo. Por que não existem nutricionistas especializados em receitar alimentos em paralelo aos medicamentos e, se possível, até em substituição?

Como a respiração afeta nossas patologias? Sabemos que a yoga, o TAI CHI e outras práticas orientais utilizam a respiração na promoção da qualidade de vida. Por que este remédio não medicamentoso não nos é oferecido?

Ela poderia:

Valorizar recursos nutricionais e da Educação Física na promoção da Saúde.

Reduzir o tempo de vários tratamentos e consumo de remédios, aumentando a qualidade de vida de todos.